segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Aqualove
Não pretendo um amor sólido
Tendo em vista a grande possibilidade
de um sólido se romper à menor mudança
de temperatura
de pressão.
Pretendo um amor liquido
que se adapte a aqualquer recipiente
e, sorvido em grandes goles,
molhe os lábios escorra pelo pescoço
e umedeça os países ao sul do continente.
líquido, para que, aquecido, evapore,
suba ao céu, chova sobre mim,
encharque o chão
tire essa tal segurança de debaixo dos meus pés
deixe lama entre meus dedos.
não pretendo um amor assim,
rígido,
não pretendo um amor assim,
sólido
mas líquido
incerto
insólito.
e se uma frente fria vinda
diretamente da Patagônia
torná-lo gelo,
frio,
pedra,
que baste deixá-lo ligeiramente
exposto ao seu olhar
e ele, regredindo a seu estado
original,
volte a matar essa sede
amiga, inseparável, do sertão
de nós.
(texto descaradamente copiado do livro: Coisas de amor largadas na noite, do excelente publicitário, fotógrafo e escritor André Gonçalves)
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André Gonçalves,
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